Não fosse o dia ter-me corrido, digamos, muito mal, e eu talvez tivesse tido mais um pouco mais de paciência (mas não muita) para com a secretária do consultório. Não fosse estar com uma dor de cabeça de morte, provocada, certamente, pela gritaria que se ouviu durante todo o dia na empresa, e eu teria sorrido (amarelamente) quando a dita senhora me informou que o médido se tinha ido embora. Não fosse estar com a bexiga quase a rebentar, ter passado a tarde inteira a beber água e planear fazer uma ecografia de rotina que já tinha marcado há quase 2 meses, e eu talvez não tivesse tido tanta vontade de esganar alguém num tão curto espaço de tempo. Não fosse eu estar particularmente irritadiça e a senhora talvez tivesse escapado à minha veia BSN, especialmente quando me disse que, para além de não poder ser atendida pelo dito médico (que já não ía regressar), não podia ser atendida por nenhum outro e tinha que marcar nova consulta.
Mas não, espumei-me completamente para cima da funcionária, que, para ajudar à festa, agiu sempre como se a situação fosse perfeitamente normal e, em momento algum, me pediu desculpas. E ainda ficou de trombas, que é o mais engraçado.
Saí do consultório a deitar fumo pelas orelhas, e de bexiga cheia.
Avisar os doentes que o médico teve uma emergência e que não pode dar consulta? Imaginar que há pessoas que vêm de longe e que se forem avisadas não perdem a viagem? Naaa, pra quê?